Em estado de emergência !?

Por Lucas Carini, assessor jurídico em escritório de advocacia.

Esta semana, em uma emissora nacional, os âncoras do telejornal, após anunciar que os índices de inflação no primeiro semestre de 2015, nunca estiveram tão elevados nos últimos 13 anos, imediatamente, sem comentários e tempo para o telespectador raciocinar, chamam uma matéria dizendo mais ou menos assim: apesar desses índices elevados, há inúmeros produtos que caíram de preço, conforme a reportagem de “fulano de tal! ”. Aí entrou a matéria.

Eu quase não consegui engolir o pão e o café que estava jantando. E a pergunta que fica, é possível comprar uma matéria?

Com a maior falta de caráter, tentam e na maioria das vezes conseguem, ludibriar a população, que no descuido de uma mordida no seu jantar, passam despercebidos, e quando voltam a cabeça para a frente, os mal-intencionados já garfaram muito do seu sustento. Porque é justamente isso que a inflação faz: mastiga o dinheiro do brasileiro, que como se vê agora, assim como se vivenciou em um passado não tão distante, cada vez é mais escasso.

O primeiro remédio que o governo utiliza para controlar a inflação, aumentar os juros, que serão pagos por quem?

Pode terminar de engolir, antes que tirem toda a comida da sua boca. Sim, o povo paga a conta de gestores públicos despreparados e incompetentes.

Por conseguinte, continuo meu jantar e outra pauta do jornal me chama a atenção. Dizia que as correntes chuvas e alagamentos que ocorrem todos os anos nessa época no RS, devido à gravidade da situação, obrigando os municípios a decretar estado de emergência. Este é regulado pelo Decreto nº 7.257/2010, que rege o Sistema Nacional de Defesa Civil (Sindec), que estabelece a sua conceituação, sendo, estado de emergência, situação anormal, provocada por desastres, causando danos e prejuízos que comprometam parcialmente a capacidade de resposta do poder público do ente atingido.

Ora, parece muito mais que um parcial comprometimento da aptidão do Poder Público em atender os necessitados que já somam mais de 38 mil pessoas no RS, sendo já 23 o número de municípios em Estado de emergência decretado. Contudo, onde estão os recursos? Não venham me dizer que são os mil sacos de areia colocados no Bairro Sarandi, na Zona Norte da capital Porto Alegre, para conter a cheia do Rio Gravataí?

Como sempre, a solidariedade destaca-se; afinal quem mais ajuda os desabrigados é a própria população, os que menos recursos tem, o povo ajudando o povo. Enquanto isso, os representantes deste mesmo povo, anunciam cortes e parcelamento de salário do funcionalismo público, rompimento do partido do vice da república com o governo. E a crise se agrava, como se fosse uma enchente sem fim, e quando a água baixar, não sabemos em qual estado estará o nosso país.

lucas@guedesadvocacia.com.br

Fonte: ESPAÇO VITAL – http://www.espacovital.com.br/publicacao-31882-em-estado-de-emergencia Artigos | Publicação em 24.07.15